Pequenos gastos, grandes despesas

Escrito por: Vitor Nagata | Data: 13/06/2011 | Categoria: 8 comentários
pequenos gastos

Estamos agora em uma nova etapa. Já organizamos nossas finanças pessoais, não estamos mais comprando por impulso, já repensamos se devemos ter um carro, mas não está sobrando nada! Não estamos comprando nada muito caro, já quitamos as prestações das nossas casas e carros, nossos filhos já entraram em uma universidade pública, mas então por que continuamos sem guardar um tostão?

Muitas vezes a causa e a solução estão nos detalhes. Já investigou seus gastos e não achou nada que apontasse um gasto excessivo desnecessário? E aquele item “outros”, que muitas vezes é reservado para pequenos gastos, já prestou atenção nele? Muitas vezes estes gastos imperceptíveis podem ser os responsáveis por tudo, e muitas vezes eles podem ser evitados sem muito esforço.

Não concorda? Então aqui vão alguns exemplos. Atire a primeira pedra quem não se identifica com nenhum:

  • Cafezinho no restaurante após o almoço todos os dias.  R$ 60 por mês, R$ 720 por ano.
  • Pão na chapa + suco de laranja de manhã na padaria. R$ 120 por mês, R$ 1440 por ano.
  • Refrigerante no almoço. R$ 60 por mês, R$ 720 por ano.
  • Mensagens de texto (SMS), plano de internet e etc. que encarecem a conta do celular em R$100 por mês.  R$ 1200 por ano.
  • Pizza toda semana. R$ 120 por mês, R$ 1440 por ano.
  • Salgadinho no caminho ao trabalho. R$ 60 por mês, R$ 720 por ano.
  • Cigarros, 1 maço por dia. R$ 120 por mês, R$ 1440 por ano.

Antes de tudo já deixo claro que as contas estão exageradas. Mas com um propósito: provar que pequenos gastos que já são hábitos podem estar impedindo você de guardar dinheiro. Se você fizer todos os gastos acima, já deixa de guardar cerca de R$ 7.000 por ano! E mesmo que você não se preocupe em guardar dinheiro, este valor poderia ser convertido em uma bela viagem ao exterior!

A avó de uma amiga minha diria: “caixão não tem gaveta, então para que economizar?”. Mesmo assim, acredito que economizar é importante, e por um único motivo: para que se possam aproveitar mais e melhor os recursos que sobraram hoje em uma oportunidade futura. O interessante é que podemos economizar muito nestes pequenos gastos, sem deixar de aproveitar seus prazeres! Que tal tomar um café apenas ao voltar ao trabalho, tomar café da manhã em casa, pedir uma água, repensar se possuir internet no celular é realmente necessário etc? Muitas vezes você até contribui com a própria saúde!

Ao sacar dinheiro no caixa eletrônico podemos receber notas pequenas (R$ 5 ou R$ 10) ou notas grandes (R$ 100). Já repararam que uma nota de R$ 100 dura muito mais que 10 notas de R$ 10? São os gastos imperceptíveis aparecendo mais uma vez! E quando você contabiliza quanto gastou indo jantar fora? O prato principal custava cerca de R$ 30, mas com a bebida, couvert, sobremesa e estacionamento, a conta passa de R$100! Os restaurantes são os maiores utilizadores destes gastos imperceptíveis, pois muitas vezes contabilizamos apenas o preço da refeição, e nos esquecemos dos outros gastos embutidos. Serviços em automóveis também utilizam desta estratégia. Vamos imaginar que você precisa trocar os pneus do seu carro. Após muita pechincha e pesquisa, você conseguiu o valor de R$ 1.500. Mas e o custo de montagem, balanceamento, alinhamento etc? Lá se vão mais R$ 500. E quanto à troca de óleo, cujo serviço custa mais que o próprio óleo?

O importante é lembrar que gastos pequenos, por serem indolores, são os responsáveis pela perda de controle. O vale refeição é um grande exemplo, ainda mais agora que é eletrônico. Muitas pessoas não o consideram como dinheiro, gastando sem controle algum. E a arquitetura de escolha do restaurante (quem não lembra o que é isso, leia este excelente artigo) o faz sempre pegar um chiclete, uma bala, um docinho no caixa antes de pagar, porque afinal essas despesas são praticamente imperceptíveis. Ou você acha que todas estas coisas estão do lado do caixa apenas por acaso?

Não queremos ser chatos a ponto de ficar pegando no seu pé em relação a economizar, mas preste atenção se o seu vale refeição estiver esgotando na metade do mês. Talvez os pequenos gastos sejam os grandes vilões de suas despesas.

Vitor Nagata é editor do Blog do Investidor e profissional da área de investimentos.

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8 Comentários
  1. Investidor Defensivo, em 14/06/2011

    Considero mais importante que preocupar com estes pequenos gastos é ter e saber projetar em uma planilha o que esta economia pode gerar ao longo de mais de 10 anos.
    Economizar o máximo e não saber o que este máximo irá gerar no futuro pode será ser frustante se estiver com uma expectativa muito alta de rendimento.

    • Vitor Nagata, em 14/06/2011

      Olá Investidor Defensivo! Com certeza, acredito que o gerenciamento de expectativas é um dos pontos mais importantes em qualquer planejamento ou acontecimento futuro. Muitas vezes, por mais que o resultado seja bom, a pessoa não fica satisfeita simplesmente porque a alta expectativa inicial não foi excedida. Isso acontece não só com investimentos, mas também com viagens, filmes, festas e etc.
      O leitor não deve se iludir e pensar que ficará rico se deixar de comprar um chiclete todo dia. A intenção do artigo é chamar a atenção para alguns detalhes que muitas vezes passam despercebidos, mas que no longo prazo, e se repetidos frequentemente, podem se tornar gastos consideráveis.
      Obrigado pela participação. Abs!

  2. Daniel Levy, em 14/06/2011

    Muito bom artigo.

    Eu já fiz o cálculo. Em minhas viagens, os pequenos gastos – leia-se, aquele cafezinho entre um compromisso e outro ou aquela garrafinha de água mineral – constituem a grande despesa!

    Aliás, eu acho que, se um estudo fosse realizado, certamente descobriríamos que são esses “pequenos produtos” que têm, no mundo, as maiores margens de lucro! Quem nunca comprou uma garrafa de água mineral sem gás por 4 ou 5 euros no pé da Torre Eiffel; ou quem nunca tomou um café de 10 euros na Piazza San Marco, em Veneza?! Aliás, um dono de restaurante amigo meu – cujo nome não citarei, mas que há de se reconhecer – me disse que o cafezinho é talvez o segundo ou terceiro colocado na lista de produtos rentáveis…..

    Em que pese essa impressão, como não tomar aquele cafezinho ou aquela água? São despesas pequenas, caras, mas que nos proporcionam muitas vezes um prazer bem maior do que muitas despesas daquelas amplamente refletidas e enormes!

    Abraço!
    Daniel

    • Vitor Nagata, em 14/06/2011

      Olá Daniel!
      Você citou um ótimo exemplo: as viagens. Nós planejamos tanto os gastos de uma viagem contabilizando hotéis, passagens, refeições e entradas para museus, mas esquecemos dos detalhes! No caso de lugares turísticos estes detalhes saem bem caro e exatamente por este motivo que até notamos eles.
      Concordo plenamente com a diferença entre o valor gasto e o percebido. Muitas vezes as pequenas despesas são as que proporcionam maior prazer. Por isso que o importante é que não se corte estes prazeres, e sim que se lembre que o gasto deles pode ser significativo no longo prazo.
      O exemplo de o cafezinho ser rentável para um restaurante foi ótimo. Em paralelo com este assunto, temos outros exemplos interessantes como: drogaria, padaria, churrascaria e até cartão de crédito, que possuem como produto mais rentável aquele que não é o principal. Realmente um estudo seria interessante, vou pensar se pode ser um tema de um próximo artigo.
      Obrigado pela participação. Abs!

  3. André Proença, em 14/06/2011

    Excelente artigo! Já havia feito essa avaliação referente ao meu vale refeição. “Por que ele nunca dura até o final do mês?”. Realmente, os R$6 no café da manhã e os R$2,5 do cafezinho pós-almoço estavam consumindo quase R$160 do meu ticket no mês, o que representava nada mais nada menos do que 30% do seu valor total!

    Claro que não vou deixar de tomar meu café, mas pelomenos estou ciente pra onde o dinheiro está indo e caso queira balancear meus gastos nesta área, já sei onde devo cortar.

    Um abraço e continuem assim.

    André

    • Vitor Nagata, em 14/06/2011

      Olá André!
      Você matou a pau! Não é porque você identificou que os seus “cafés” são os responsáveis pelo sumiço do crédito do seu vale refeição, que você vai parar de usufruir este prazer! Mas com certeza se um dia quiser controlar melhor seus gastos, já sabe pode onde começar!
      Obrigado novamente pela participação!
      Abs!

  4. Rafael Y.Imai, em 14/06/2011

    Excelente artigo, Vitor!

    De nada!

    Outra coisa interessante, que acontece com esses pequenos gastos, é aquela história de “maior a quantidade de produto, menor o preço relativo(preço da quantidade do produto).Há certo tempo atrás, ao voltar da escola as segundas, comprava uma Coca Cola(de vez em quando), de 600ml.

    Tudo bem, ela custava R$3(enquanto em um supermercado, eu chegava a pagar R$2), mas tem aquelas questões do tipo “menor quantidade, no atacado, o preço por produto tende a ser maior”.

    Até que, um dia, eu reparei que criaram uma nova embalagem, que custava R$1.Como não estava com tanta sede, a época, acabei optando pela de R$1.E qual foi a minha surpresa quando eu descobri que ela tinha 250ml!No final das contas, naquele mercado, compensava mais pegar 3 pequenas(dando 750ml) do que uma de 600ml, pelo mesmo valor.

    Ainda na questão da economia com coisas do dia a dia, muitas pessoas não percebem que o gasto é cumulativo, e, muitas vezes, acarreta mais gastos.Por isso que, geralmente, certos tipos de coisas, como lâmpadas fluorescentes e sistemas de aquecimento solar, dão retorno(a economia proporcionada em gastos acarretados acaba pagando o preço do produto) em médio/longo prazo, e, ao final das contas, acabam provando-se mais econômicos do que concorrentes cujo preço, no momento da compra, é mais vantajoso(Caso da lâmpada incandescente, fácil de encontrar por menos de R$5, e do chuveiro elétrico).

    Eu particularmente gosto de ficar fazendo cálculos relativos a esses pequenos problemas do dia a dia(Tipo, se compensa mais comprar x ou y, tal quantidade ou outra).No final do mês, dá para economizar bem.

    Abraços,

    Rafael Y.Imai

  5. Ulisses Nehmi, em 15/06/2011

    Caros,
    Após ler o artigo e os comentários, a ponderação: não precisamos cortar os pequenos prazeres, mas também não custa nada saber o quanto custa, semelhante ao artigo do custo do carro x táxi… Ótimos pontos!
    Abs

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