Dinheiro de plástico: prós e contras

Escrito por: Vitor Nagata | Data: 01/04/2011 | Categoria: 2 comentários
Cartão de Crédito: Dinheiro de Plástico

Os cartões de crédito e débito revolucionaram diversos costumes e trouxeram imensas facilidades para os consumidores. Criados em meados dos anos 20 nos Estados Unidos e popularizados nos anos 50 no Brasil e no mundo, há quem nunca utilizou uma única folha de cheque até hoje, e com certeza não sentiu falta.

Comparativamente com dinheiro vivo, com o cartão se tem um controle infinitamente melhor dos gastos (cada despesa aparece como uma “linha” na fatura). Em uma empresa, por exemplo, um cartão corporativo demonstrará exatamente as despesas e o estabelecimento em que foram gastas. Pensando em segurança, não há nada mais seguro que um cartão. Não há como comparar a segurança de portar um pedaço de plástico frente à insegurança de portar dinheiro vivo em sua carteira. Em viagens, os cartões ajudam a atravessar fronteiras e facilitam a conversão entre moedas. Hoje temos o Euro, mas quem lembra como era viajar por diversos países da Europa sem cartão?

Unindo o cartão ao mundo da internet, não há limites para as possibilidades. Nesse contexto o dinheiro de plástico se transforma em dinheiro eletrônico, virtual, no qual apenas cifras na tela do computador significam horas de trabalho. Alguns sites da internet já fazem até a conversão de faturas em Dólar para Real a taxas mais interessantes que as operadoras de cartão.

Poderia ficar horas falando sobre os benefícios e as mudanças que o cartão trouxe, mas estamos aqui para orientar. Afinal, quais os contras do dinheiro eletrônico e de plástico? Os maiores problemas não são os golpes da internet e clonagem, e sim o próprio comportamento do consumidor. Podemos citar como os principais vilões: o débito automático, a virtualidade da despesa, a compra impulsiva, o parcelamento excessivo e o câmbio (no caso de despesas no exterior).

O débito automático facilita muito o pagamento de contas, porém fica mais fácil gastar. Desprezando efeitos de má fé (cobranças erradas), o fato do consumidor só tomar conhecimento desse gasto ao ver o débito já lançado em sua conta, transforma isso em um ato indolor. Isto é a virtualidade da despesa, pela qual o consumidor sente muito menos quando comparada ao gasto realizado na forma física, ou seja, com dinheiro em espécie. Quem nunca notou o efeito do “Sem Parar” instalado em muitos carros, no qual você não sente o pagamento de estacionamentos e pedágios (parece que foi “de graça”)? Em tempos pré-cartões tínhamos como limite para compras a quantidade de dinheiro nos bolsos. Hoje ele é equivalente ao limite do(s) cartão(es), valor muito superior e até fisicamente impossível de possuir na carteira. Este grande poder aquisitivo possibilita compras impulsivas, isto é, compras baseadas em desejos momentâneos e que não sofreram nenhuma espécie de planejamento. Se a quantidade de dinheiro fosse limitada, a resistência a impulsos seria maior, já que não se poderia pagar por eles.

Outra prática comum de usuários de cartão de crédito é o parcelamento excessivo das compras. Se o estabelecimento não oferecer nenhum desconto para compra a vista, é sim vantajoso a compra no maior número de prestações possíveis, desde que não haja juros. Mas o problema reside no fato de pessoas encaixarem as parcelas baseadas na sua receita mensal, e irem somando outros parcelamentos a isso. Quando analisam o resultado disso tudo chegam a conclusão que o seu salário futuro está totalmente comprometido para pagamento de compras passadas.

Conforme citado em outro artigo, evite ao máximo perder o controle de suas despesas e parcelamentos de cartão de crédito, pagando sempre suas contas em dia e não dando um passo maior que suas próprias pernas. Saiba os seus limites, não ache que eles aumentaram pelos fatos citados no artigo. Faça um planejamento de seus gastos futuros com suas receitas, para não ter surpresas e não agir impulsivamente. Lembre-se que o dinheiro pode ser eletrônico ou de plástico, mas ele é real.

Por fim, tome cuidado com o uso do cartão de crédito no exterior. O governo aumentou recentemente (28 de março de 2011) a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para o câmbio de moedas, de 2,38% para 6,38%. Essa taxa será cobrada diretamente na sua fatura do cartão de crédito, sobre o valor de suas compras realizadas em moeda estrangeira. Assim, vale a pena fazer a conta com cuidado para ver se aquela lembrancinha que você imaginava ser uma pechincha não será, na hora de pagar a conta, uma má lembrança!

Vitor Nagata é editor do Blog do Investidor e profissional da área de investimentos.

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2 Comentários
  1. Bruno Rieger Salzano, em 07/04/2011

    Dica prática: se você estiver viajando e resolver fazer umas comprinhas no FreeShop do Brasil usando seu cartão de crédito, por mais que a taxa de câmbio deles seja abusiva (e de fato é!), talvez valha a pena fazer as compras em reais ao invés de fazer em dólares, para fugir do custo de 6,38% de IOF.

    • Vitor Nagata, em 07/04/2011

      Exato! Assim como compras na internet em sites do exterior que você tem a opção de converter para Real. O próprio paypal tem isso, e com uma taxa de conversão muito boa.

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