Conceitos Básicos sobre CDB

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Fizemos um artigo mais atualizado sobre este assunto:

O que é CDB: Guia Inicial com Perguntas e Respostas

Quando pensamos em investimentos, frequentemente lembramos da poupança, que é  a escolha mais simples e prática.

No entanto, já falamos exaustivamente aqui no Blog do Investidor que existem muitas opções mais interessantes que a poupança. Também falamos que uma forma comum de investir é emprestar dinheiro para o banco em troca de um retorno.  O banco utilizará este dinheiro para exercer sua principal atividade: emprestar dinheiro.

E qual a forma mais simples de fazer isso? Através do CDB, ou Certificado de Depósito Bancário, por um prazo e remuneração determinados.

Para entender de onde vem esse nome, vamos imaginar como era feita essa operação 50 anos atrás. O investidor levava o dinheiro em espécie para emprestar ao banco e o entregava ao gerente em troca de um certificado (comprovante/recibo). Neste documento estavam especificados: o nome do banco, a data de vencimento, o valor original e qual seria a remuneração para este empréstimo. Hoje em dia, o processo é exatamente o mesmo, embora mais tecnológico: o investidor combina com o gerente o prazo e a remuneração, e com alguns cliques no terminal o gerente aplica o dinheiro da sua conta. Uma dica: em geral as taxas para aplicação através do Internet Banking dos grandes bancos são muito piores do que os gerentes podem oferecer, então evite fazer aplicações por esse canal. Não custa nada ligar para o gerente.

Quais tipos de CDBs existem?

Há basicamente 3 tipos de CDBs: os pré-fixados (é informado no momento da aplicação exatamente qual valor será resgatado no vencimento), os pós-fixados (o valor investido e seus rendimentos serão corrigidos pelo percentual de algum indicador, normalmente o CDI) ou os indexados à inflação (um misto dos dois casos anteriores, ou seja, haverá uma remuneração pré-fixada acrescida da inflação acumulada no período). Note que em todos os casos, mesmo no pós-fixado, o modo de cálculo da remuneração é definido no momento do investimento, assim como todas as demais regras.

Prazo e Liquidez

Lembre-se: o CDB tem um prazo para vencer. É nessa data que o investidor recebe o seu dinheiro de volta com seu rendimento. Aí surgem dois pontos importantes: resgate antecipado e tributação.

Com relação ao primeiro ponto, é importante observar se o CDB tem liquidez (se é possível resgatá-lo antes do vencimento) ou não.

Cuidado: ao invés de falar que não há liquidez, alguns bancos falam que há liquidez apenas no vencimento ou em certas datas específicas, o que na prática é a mesma coisa.

Em geral, a remuneração é maior se o CDB não tiver liquidez, exatamente por você não ter a possibilidade de resgatar antes do vencimento. Mas tome cuidado com o planejamento para ter certeza que você não precisará mesmo dos recursos antes de fechar o negócio.

Tributação

O segundo ponto é a tributação, que tem alíquotas menores conforme maior for o prazo do CDB. O imposto de renda sobre o rendimento do CDB é recolhido automaticamente pelo banco no momento do resgate e segue a tabela regressiva de renda fixa, que será abordada oportunamente em outro artigo.

Um ponto de atenção é sobre o que acontece na data de vencimento: quando o CDB vence é feita uma nova aplicação, e o prazo para tributação começa a “contar” novamente. Assim, enfatizamos mais uma vez a importância de planejar seus investimentos para não ser prejudicado por alíquotas menos favoráveis.

Risco

Finalmente, qual o risco de um CDB?

O principal risco do CDB é o do banco falir e você não receber seu dinheiro de volta. Por isso, conheça bem o banco para o qual você empresta seu dinheiro, isto é, investe.

Você não pensa duas vezes antes de emprestar dinheiro para alguém? Com o banco não é diferente. Os CDBs de grandes bancos em geral rendem menos do que os CDBs de bancos menores, exatamente pela velha regra do risco x retorno. Bancos maiores normalmente são mais difíceis de falir, portanto teoricamente possuem menor risco e seus CDBs rendem menos. Por outro lado, os CDBs estão incluídos entre os recursos garantidos pelo Fundo Garantidor de CréditoFGC. Dessa forma, aplicações de até R$ 250 mil por CPF são garantidas por esse mecanismo em caso de falência do banco.

O CDB é uma alternativa que normalmente oferece um rendimento melhor que a poupança, mas é preciso cautela na hora de fechar a remuneração com o gerente. Nos próximos artigos sobre esse assunto mostrarei como comparar o rendimento do CDB com outros investimentos, como escolher um banco e como evitar entrar em roubadas.

Ulisses Nehmi é editor do Blog do Investidor e profissional da área de investimentos.

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87 COMENTÁRIOS

  1. olá td bem!
    gostaria de tirar uma dúvida com respeito ao cdb, se eu quiser colocar R$10.000, e R$ 1.500,00 mensalmente, os juros e o tempo para contagem do imposto de renda, vão ser sempre em relação ao valor inicial de R$ 10.000,00 e será contado também sobre cada aplicação mensal de R$ 1.500,00 ou o somatório de tudo?
    Desde já grato!

  2. Fiz uma plicação de 180 dias no CDB, Renda Fixa e Inv. Estruturados:
    minha pergunta posso resgatar em uma data apos o vencimento?
    ou não pode passar dos 180 dias que fixei?

  3. Bom dia, Ulisses!

    Caso eu tenha, digamos, R$ 200.000 aplicados em CDB para resgate em 5 anos no Banco Sofisa Direto e o mesmo vá à falência. O FGC cobre até qual valor (ouvi falar que era até R$ 250.000)? E o processo para receber, demora muuuito? É muito burocrático receber o seguro, caso ocorra a falência da instituição? Grato!